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O que faz um café ser bom? – Geneviève Savard

Depois de seis meses no Canadá, já posso dizer que tenho uma leve ideia da preferência canadense. Visitei muitas cafeterias, mercados e restaurantes. Percebi que aquela velha historia do “quanto mais preto melhor o café”  também foi disseminada aqui na América do Norte. Demorei um pouco para encontrar lugares bons para tomar café. Aqui, em Trois-Rivières, consegui encontrar dois lugares que posso chamar de casa quando o assunto é café. Por isso, nos dias que preciso de um abraço quentinho é para um desses lugares que eu vou. 

 Porém, curiosa que sou, decidi entender um pouco mais sobre essa preferência canadense. Entender um pouco mais a cultura e a maneira como o canadense pensa tanto sobre café quanto sobre a vida. É sempre bom aprender um pouco mais sobre o país que estamos morando. Por enquanto, vou me limitar a província do Québec. Aqui tudo é diferente. Não foi a toa que parei aqui. #diferentona

Para começar a coluna “O que faz um café ser bom?” em terras estrangeiras, decidi ter uma conversa com a dona de um dos meus lugares favoritos em Trois-Rivières,  Geneviève Savard, dona do Marché Notre Dame

Para quem me conhece, a primeira pergunta que sempre faço é “o que é um bom café?”. Gosto de saber o que as pessoas entendem e pensam sobre isso. Assim como todo apaixonado por café, a resposta foi simples. Para ter um bom café  é preciso saber a procedência desse grão, a maneira como ele é torrado, como ele é extraído e quem vai manusear o café. No final de tudo, não é sobre ter a melhor maquina e sim como você controla os fatores, além do amor que você tem por aquilo que você faz e oferece. 

Lá no Marché, eles usam o café da P’tit Brulerie. Uma micro torrefação aqui na região de Maurice (região que eu moro).  Como alguns sabem, o mercado tem como foco oferecer produtos orgânicos de qualidade e que sejam de produtores locais. A P’tit Brulerie valoriza muito o bom sabor do café e, apesar das mudanças climáticas do Canadá, eles conseguem manter um equilíbrio no sabor e na qualidade. 

Geneviéve também me contou que o Marché sofre um pouco de “preconceito”. Afinal, lá não é uma cafeteria propriamente dita, e sim uma Épicerie (mercado local). Isso faz com que muitas pessoas não associem o local a um lugar que ofereça um bom café ou queiram visitar por não ser um “Third Wave Coffee”, cafeterias que fazem parte da terceira onda do café. Contarei sobre isso mais para frente… Tanto para ela quanto para o namorado, Jean-François Cassette, o importante é oferecer produtos de qualidade que foram feitos e produzidos com amor e carinho. 

Assim como eu, eles também sabem que é preciso ensinar as pessoas a tomar café corretamente. A maioria das pessoas não conhece nada além do café preto com açúcar. Quanto mais preto melhor, porém, mais açúcar também. É uma tradição que requer muita paciência e muitos ensinamentos sobre o que é um bom café. Isso leva tempo, passo de formiguinha mesmo. Ainda mais aqui, na província dos diferentões.

Entretanto, uma coisa os millennials quebecois tem em comum com os millennials do mundo inteiro, seguem modinhas e tendências. A maioria de nós está preocupada com o local mais popular para tirar foto bem bonita do latte arte, do local, etc. Muitas dessas pessoas não gostam nem de café, estão lá só porque é popular. É tudo pela imagem. E é aqui que entram algumas cafeterias “Third Wave Coffee” que mencionei. 

Cafés assim são aqueles que valorizam o produtor local, a produção artesanal.  Qualquer apaixonado por café vai querer frequentar uma cafeteria como essa. Entretanto, muitos desses locais só possuem fama mesmo. O café continua queimado, enganando muita gente por aí com o discurso de melhor café da cidade. Geneviève também me explicou que algumas dessas cafeterias trocam muito de mestre de torra, barista, e por aí vai…. Dificultando a qualidade do nosso querido café.

Por fim, nosso papo estava tão gostoso que não dava vontade de ir embora. O Marché Notre Dame oferece a experiência completa que eu sempre procuro nas cafeterias e locais que visito. Locais que me façam sentir em casa. Locais com boa comida, boa bebida e um aconchego que só a nossa casa pode oferecer. Não é sobre ser o local mais fino ou mais caro e sim o local que me faz querer ficar e sempre querer voltar.  

Até a próxima!

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