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Um Abril Especial

Essa semana o Instagram me mostrou uma lembrança que me deixou muito feliz. Ele me mostrou uma postagem sobre a importância do mês de Abril em minha vida! Abril sempre foi um mês muito especial para mim. É o mês do Santo que me protege e me guia, São Jorge. Além disso, neste mês tão especial, eu comemoro também minha alta da terapia e o fim do meu tratamento com remédios contra a depressão. Foram dois anos com muitos altos e baixos. Houveram alguns choros e crises de ansiedade. Porém foram dois anos de muita alegria.

No primeiro ano de alta, eu descobri que sou mais forte do que imaginava. Aprendi que terapia não pode ser muleta. Percebi que sou capaz de andar com as minhas próprias pernas. Minha querida psicóloga me deu ferramentas que me permitiram enfrentar todos desafios que apareceram. É claro que houve momentos de insegurança. Mas nada que uma boa respiração para acalmar os coração e seguir em frente.

Neste segundo ano, as inseguranças e os medos ainda existem. Além disso, os desafios ficaram um pouco mais assustadores. Não poderia ser diferente. Afinal, comigo sempre foi “go hard or go home.” (tudo ou nada). Eu mudei de país e resolvi começar tudo de novo. Realizei o desejo dos meus pais de sair novamente do país e segui o conselho da minha psicóloga. Decidi voltar para a faculdade. Porém, ao invés de ir para um lugar onde dominasse o idioma, resolvi dificultar um pouco as coisas. Decidi ir para a província de Québec e aprender francês. Idioma que só conhecia de leituras e de algumas aulas na época de bacharel. Ser pistache tem dessas coisas. É ser diferente e ter uma imensa vontade de realizar o impossível. 

O recomeço não foi fácil. Cheguei no meu novo país com toda a segurança do mundo. Achava que tinha tudo sob controle e que tudo aconteceria como planejado. Até que a vida, sábia como sempre, me mostrou que não é bem assim que a banda toca. Tive crises de ansiedade e muitas vezes chorei achando que não ia mais conseguir. Pensei em desistir e jogar tudo para o alto. Pensei em arrumar as minhas malas e voltar para casa. Voltar para aquilo que conhecia. Voltar para os meus amigos e para minha família. Mais uma vez, nada que uma boa respiração e o velho mantra “inspira, respira e não pira” para dar jeito.

Para nós que sofremos com ansiedade e depressão, é importante conseguir respirar e tentar acalmar nossa mente. Eu sei que muitas vezes nossos medos e receios tentam tomar conta de nós. Em algumas situações, elas podem até nos paralisar. Lembre-se sempre de respirar! A respiração nos traz de volta para o presente.

O desconhecido assusta. A solidão assusta ainda mais. No Canadá, achava que tinha tudo sob controle. Logo no início, o francês criou uma barreira bem grande. Não imaginava que teria tantas dificuldades com o idioma. Eu sabia ler e entendia quase tudo o que as pessoas falavam. Porém, tinha, e ainda tenho, muita vergonha de falar. E a sensação de estar sozinha? Essa sempre batia a minha porta. Não tinha muitos amigos e nem familiares por perto. Mas recomeço tem dessas coisas mesmo. Tudo é novo. Criamos uma nova vida, um novo lar, e fazemos novos amigos. Ainda bem que aprendi a gostar da minha própria companhia.

Entre todas as lições que aprendi neste último ano, a mais importante foi: “Tudo passa”. A minha vontade de viver essa Experiência Canadá é muito maior que todos os monstrinhos que vivem na minha cabeça. Eles só existem dentro de mim. Eu só preciso não os deixar me controlarem. Confesso que nem sempre é facil. É normal ter medo, e se sentir inseguro. A ansiedade bate. Mas eu sei que ela vai passar. Ela sempre passa. E quando preciso chorar, eu choro. Alivia a alma. Nem sempre tenho um abraço apertado por perto. Mas tenho sempre alguém que segura a minha mão, mesmo que de longe. 

Por fim, aprendi a pedir ajuda. Sempre tive essa sensação de querer ser forte o tempo inteiro. Tenho um problema sério em querer ser a Mulher Maravilha. Sempre fui independente. Ainda tenho uma dificuldade imensa de pedir ajuda. Porém, eu aprendi que não tenho todas as respostas, e que ainda tenho muito a aprender. Sempre que preciso, peço ajuda. As vezes, peço para a espiritualidade para que minha fé sempre se fortaleça. Outras vezes peço para alguém me explicar algo que não entendo.

A vida com a ansiedade e a depressão nem sempre é fácil. Temos dificuldade de falar aqui que sentimos. Muitas vezes, sentimos vergonha e medo de falar sobre nossos sentimentos. Se se você está começando o seu tratamento, ou até mesmo passando por crises, respire e não pire. Não se preocupe. Seja forte! No final, tudo dá tudo certo! Não deixe seus medos te controlarem. Não permita que eles te impeçam de seguir seus sonhos. Lembre-se que no tudo passa! Até a mais forte das tempestades.

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