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Jejum Intermitente e Eu

Nutricionista Ana Paula Tranqueira

No inicio de 2018, minha nutricionista maravilhosa, Ana Paula Tranqueira, me fez a seguinte pergunta: qual será o seu desafio para 2018? Demorei um pouco para escolher, até que decidi reduzir o meu consumo de carne. A idéia era quebrar esse tabu que para ser uma atleta de alta performance é preciso comer muita carne. Existem muitos atletas de alta performance que são vegetarianos. Além disso, tenho o exemplo dos meus mestres de jiu-jitsu que são vegetarianos e muito fortes. Por que não tentar uma alimentação um pouco mais vegetariana?

Comecei intercalando uma semana sim e uma semana não de proteína animal. Confesso que não foi um dos desafios mais fáceis, mas missão dada é missão cumprida. Graças à minha nutri, e à minha incrível endócrino, Dra. Carolina Meirelles, consegui cumprir meu desafio. Durante esse processo, descobri novas fontes de proteína, novos sabores e um novo mundo gastronômico a ser explorado. Além disso, mantive a minha performance e a minha massa magra. Hoje em dia, consigo ter refeições sem carne tranquilamente.

Dra. Carolina Meirelles

Este ano, decidi fazer o jejum intermitente (JI). Decidi fazê-lo como um “desafio mental”. Eu não queria emagrecer. Aliás, estou bem satisfeita com o meu corpo e estou bem de saúde. Meu objetivo era perceber meus picos de ansiedade. Queria entender “como”, “quando”, “por quê” e “o que” estou comendo. Fácil? Definitivamente não. Entretanto, como todos sabem, dificilmente escolho o caminho mais fácil. Eu sabia que não poderia fazer isso sozinha. Tentei isso uma vez e não deu certo. Portanto, fui conversar com a minha nutricionista e com a minha endócrino. Como a Dra. Carolina tem mais conhecimento sobre esse protocolo, ela me passou a minha nova dieta e as instruções para fazer o jejum.

Lembrando pessoal: Eu, minha nutricionista e a minha endócrino somos uma equipe. Todas nós queremos uma coisa em comum: vida saudável sem neura, e performance dentro de quadra. Não faça nada da sua cabeça ou que você viu na internet, não dá certo. Procurem bons profissionais!

Depois de 4 meses de jejum intermitente, posso dizer com muita certeza que foi a melhor coisa que fiz. Pela primeira vez em anos, eu saí de casa para morar em outro país e não engordei. Consegui manter o meu peso, e acho que até emagreci um pouco. Quem olha até pensa que foi uma fórmula mágica.

O protocolo não fez nenhum milagre. Ele apenas me ajudou a implementar tudo aquilo que aprendi com a Ana Paula e que muitas vezes esquecia de fazer. Comecei a prestar muito mais atenção nas coisas e nos horários que eu comia. Percebi que muitas vezes como por ansiedade, e isso não é bacana. Aprendi a comer quando tenho fome, e não quando tenho vontade de comer. Comecei a me questionar: “Eu estou com fome, ou estou com vontade de comer?”, “Por quê estou comendo tanto doce?”

Aprendi que era preciso comer TUDO que a Ana Paula e a Dra. Carolina pediam para colocar no prato. Eu percebi que nos momentos que tinha uma fome incontrolável fora do horário de comer era porque eu não havia comido todos os nutrientes que precisava na refeição anterior. Aquele papo que os nutris e endócrinos falam sobre os alimentos que fazem um prato completo é uma das maiores verdades que vocês vai escutar na vida.  

A minha alimentação ficou mais limpa. Como alguns sabem, eu tenho alergia a glúten. Isso já dificulta um pouco a escolha de lugares e das coisas para comer. Com o JI, decidi eliminar de vez as coisas pré-prontas ou congeladas. Afinal, se é para fazer, vou fazer direito. Voltei a fazer quase tudo em casa e procurei comprar quase todos os meus alimentos na sessão de orgânicos. Nem sempre consigo porque eles ainda são um pouco caros. Por isso, faço o que posso. Meu inchaço melhorou bastante e o meu corpo agradeceu mais uma vez. 

Com essa mudança de hábitos, fiquei um pouco mais “sensível”. Na hora que saio da linha e/ou consumo produtos muito industrializados, meu corpo e minha pele reagem na hora. É chato? É! Mas não dá para fazer muita coisa. Minha saúde em primeiro lugar. Isso só me forçou a escolher melhor as coisas que estou comendo. Afinal, a ideia inicial era ter essa, ter consciência. Ou seja, objetivo alcançado.

Não sou escrava do JI, e como quando sinto fome de verdade. Respeito meu corpo e minhas necessidades como atleta. Às vezes saio da linha, e como errado. Entretanto  jejum intermitente me ajudou muito controlar essas escapadas. Hoje penso duas vezes se vale a pena ou não comer aquela gostosura na festa ou em um restaurante. Por fim, também não sinto aquela fome absurda, nem o desejo incontrolável por doce durante a TPM. Tenho minhas vontades pontuais de besteira, que para alguns, nem são tão besteira assim. Cada um com suas loucuras, não é mesmo?

Estou bem feliz com o jejum e vamos ver o que mais vou aprender durante essa jornada! Ainda tenho um longo caminho pela frente. 

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