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Eu não queria viver…

Setembro esta aí! Nesse mês, temos o setembro amarelo para falar sobre depressão e a prevenção ao suicídio. A cada dia que passa, vejo mais e mais pessoas sofrendo com depressão. Por isso, é muito importante falar sobre isso.

Já faz algum tempo que venho falando sobre a minha experiência com a ansiedade e depressão. Porém, nunca falei abertamente sobre a minha experiência com suicídio. Ainda não estava pronta para isso, e acredito que a hora finalmente tenha chegado. Indo direto ao ponto, eu já pensei em me suicidar. 

Durante muitos anos, ignorei os sintomas da depressão. Pensava que era tudo apenas uma fase, e que eu não precisava de ajuda. Acreditava que eu poderia lidar com tudo que eu sentia sozinha. Porém, ao final do meu mestrado, minhas crises pioraram e os meus pensamentos suicidas começaram a ser muito mais frequentes.

Eu sentia uma dor e uma tristeza inexplicável. E a cada crise que eu tinha, mais a vontade de partir crescia. Como um amigo que passou pela depressão e também tentou se suicidar disse: “Não é que eu quisesse morrer, eu só não queria mais viver”. E para mim, foi exatamente isso. 

Para mim, viver não tinha mais sentido. Foi nessa época que comecei a planejar a minha partida. Antes de dormir, sempre pensava em como deixaria de viver. Entretanto, alguns dos meus planos envolviam outras pessoas, como por exemplo, provocar um acidente de carro. Outras vezes, pensei em comprar uma arma, algo bem normal nos EUA.

Mas se eu tinha tantos planos, por quê nunca fui em frente? Todas as vezes que eu pensava em ir, a memória do meu irmão me vinha a cabeça. Logo em seguida, começava e pensar nos meus pais. Eu os amo demais. Por maior que fosse a minha vontade de ir, não queria que meus passassem pela perda de outro filho. 

Porém, a depressão é um bichinho traiçoeiro. Uma noite tive uma crise muito feia e por um momento pensei em seguir em frente com alguns dos meus planos. Não aguentava mais aquela dor e tristeza dentro de mim. Tudo que eu queria era que aquilo acabasse. Eu iria comprar uma arma ou tomar algum remédio, e faria tudo no meu apartamento. Se Deus existe, naquela noite, um anjo da guarda deve ter falado comigo. Eu pensei em ligar para alguém e pedir ajuda.

Eu decidi ligar para a minha amiga Lauren. Ela voou para a minha casa e ficou comigo até que eu me acalmasse. Ela me ajudou a tirar aquelas ideias da minha cabeça. Se não fosse por ela, hoje eu não estaria aqui contando essa história para vocês. Obrigada Lau! 

Depressão é coisa séria! Ela existe e precisa ser tratada. Durante os anos que vivi com depressão, os dias eram cinzas e frios. Eu tive a sorte de ter a Lauren, meus pais e tantas outras pessoas que me ajudaram a superar a depressão. Porém, eu sei que nem sempre é assim. Além, disso, sei que existem pessoas que passaram por algo muito pior que eu.  Na terapia aprendi é que nenhuma história é melhor ou pior que a outra. Nenhuma dor ou trauma é muito pequena ou muito grande. Todas as histórias são únicas. Só nós sabemos a dor e a tristeza que carregamos dentro de nós. 

Por isso, se você, leitor, está passando por depressão saiba que você não está só. A dor que você está sentindo vai passar. Chico Xavier já dizia: “Tudo passa.” Essa tristeza vai embora. Talvez demore um pouco, mas ela vai passar. Para quem conhece alguém que está passando por isso, ajude. Ligue, procure, esteja presente. Nem sempre a pessoa com depressão vai verbalmente pedir ajuda. Muitas vezes, o pedido de ajuda está em um olhar ou um gesto. Preste atenção!

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