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Um trauma por vez

Há um ano atrás, decidi mudar de país. Embarquei em uma aventura em um novo país e um novo idioma. Confesso que não tem sido do jeito que eu esperava. Afinal, mudanças exigem ajustes à uma nova rotina. No meu caso, nova cultura, novo idioma, e por aí vai… Por esse motivo, é preciso ter paciência e dar tempo para que as coisas se ajustem. Mas hoje, não estou aqui para falar sobre ter paciência e esperar. Ainda estou aprendendo a fazer tudo isso. Para ser sincera, a maior parte do tempo tenho a sensação de estar bem perdida. Quando tiver alguma ideia do que estou fazendo, venho contar por aqui.

Apesar desse sentimento de incerteza, minha “Jornada Canadá” está desfazendo certos “traumas”. Aqui no Québec, tenho a sensação de estar “vivendo” tudo de novo. Passo por situações similares a época morava nos EUA. Algumas memórias são boas e outras nem tanto. E, é aqui que fica o meu problema. Não me entendam mal, minha experiência nos EUA foi incrível. Porém, ela deixou alguns machucados que precisam ser curados para que eu possa seguir em frente.

Um dos meus traumas era ter roommates (companheiros de quarto). Quando morei nos EUA, a minha experiência com roommates foi bem ruim. Uma roubou a minha carteira e usou meu cartão de crédito. A outra parou de falar comigo porque começou a andar com uma galera Zé Droguinha. A outra fingia que eu não existia. Ela só falava comigo quando tinha algum AMIGO meu em casa. Tantas experiências ruins que não caberiam em um post só.

Quando chegou o momento de ir para o Canadá, tentei de tudo quanto foi maneira para morar sozinha. Entretanto, Deus e o universo, sempre muito sábios, me mostraram que eu precisava dividir apartamento com outras 3 pessoas. Como ainda estava traumatizada de morar só com meninas, escolhi morar em um apto misturado (homens e mulheres). Vai que dava certo, não é mesmo?

Affou, Nico, eu & Judith

Foi uma experiência incrível. Meus roommates do ano passado eram completamente diferentes de mim. Eram dois franceses (um rapaz e uma menina), e uma malesa.  Éramos muito diferentes em personalidades, culturas e crenças. Porém, respeitávamos nossas diferenças. Nós abraçamos essas distinções fizeram com e viramos uma pequena família. Tudo era conversado. Uma casa, de jovens universitários, bem incomum de tudo que eu havia vivido e escutado de outros amigos.

Este ano não estamos morando juntos. Sinto saudade dos meus “filhos”. Eu era a mais velha da casa. Por isso, brincávamos que eu era a “mãe da casa”. Temos um carinho muito grande mas a vida segue. Estou morando em outro lugar e em uma região da cidade de que gosto muito. Eu me sinto muito mais em casa e meu “roomie” é bem tranquilo.

É claro que amo morar sozinha. Entretanto, não tenho mais medo de morar com outra pessoa. Nada como recomeçar e dar uma segunda chance para as coisas. Precisei aprender a olhar para minhas experiências ruins com mais amor. Deixei as memórias no passado, onde elas pertencem. Estou me permitindo viver essa experiência Québec com mais leveza. Afinal, passado é passado. Ele só serve para ensinar e servir de referência. Ainda tenho muitos nós a serem desfeitos, aos poucos vou desfazendo cada um deles. Um de cada vez!

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