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Flexitariana

No início 2018, minha nutricionista me perguntou qual seria o meu desafio do ano. Na época, estava treinando com dois mestres de jiu-jítsu vegetarianos. Além, disso conhecia muitos atletas de alta performance que eram vegetarianos. Por isso, naquele ano, meu desafio seria começar uma alimentação vegetariana. Eu sabia que não seria uma mudança fácil. Porém, estava determinada a seguir em frente com o meu objetivo. Não era possível que para ser forte e ter alta performance, eu precisava comer carne de origem animal. 

Minha nutricionista e minha endocrinologista abraçaram meu desafio. De lá para cá, muita coisa mudou. Descobri um mundo culinário completamente diferente. Aprendi muito sobre os alimentos. Descobri novos sabores e mergulhei quase que de cabeça na culinária vegetariana/vegana. No início, comecei intercalando as semanas. Uma semana com carne e outra sem carne. Aos poucos fui deixando a carne de lado, e hoje não sinto mais falta de ter um pedaço de carne no meu prato. Sinto muito mais saciedade com um prato cheio de legumes. Quem diria, não é mesmo?

Quando me mudei para o Canadá, pensava que não sabia se conseguiria continuar com o meu desafio. Afinal, tudo que eu sabia de América do Norte, estava baseado na minha experiência nos EUA. Estava completamente enganada.

Aqui no Québec, tem sido muito mais fácil seguir com a minha alimentação vegetariana.

Tenho acesso a vários restaurantes veganos/vegetarianos maravilhosos. Além disso, os produtos orgânicos, apesar de serem um pouquinho mais caros, cabem no meu bolso. É só saber procurar nos lugares certos. No meu caso, moro do lado de um mercado eco responsável que vende produtos orgânicos e locais. Ou seja, vendem frutas e legumes da estação.  

A minha experiência com a alimentação vegetariana me fez mudar a maneira que olho para comida. Me considero, “flexitariana”. Não sou 100% vegetariana e, vez ou outra, como carne de origem animal. Hoje penso duas vezes quando estou comprando alguma coisa no mercado. Prefiro pagar um pouco a mais e saber que estou comprando algo que será bom para o meu corpo do que “economizar” e consumir algo cheio de agrotóxicos, etc. Sei que essa não é a realidade de muitas pessoas. Tenho conhecimento que muitos produtos orgânicos não cabem no bolso da maioria da população. Espero que um dia essa realidade mude. 

Por fim, no mês passado assisti o documentário Game Changer  (Dieta dos Gladiadores) no Netflix. Para quem gosta desse tipo de conteúdo e quer saber mais sobre a alimentação “plant-based”, eu recomendo. O documentário mostra como o corpo de um atleta de alta performance reage a uma alimentação vegetariana/vegana no pós-lesão e até mesmo durante a preparação para competições. 

Entretanto, achei o documentário um pouco tendencioso quando falava do consumo de carne de origem animal. Ele passa a idéia que todas as carnes fazem mal. Não sou nenhuma especialista, mas achei meio radical. Fora isso, gostei muito e achei muito interessante a maneira como eles abordaram a alimentação vegetariana/vegana para atletas de alta performance. 

Hoje em dia me sinto mais disposta e mais leve.

Não perdi a minha força, muito pelo contrário. Não vou dizer que foi uma mudança fácil. Afinal, nenhuma mudança é fácil. Porém, ela foi essencial para que eu aprendesse mais sobre os alimentos que consumo e sobre o estilo de vida que levo. Essa mudança na minha alimentação me forçou a saiu da minha zona de conforto. Me fez questionar os padrões de consumo que são impostos aos atletas com verdade absoluta. A vida inteira escutei que precisava comer carne para ter músculos e ser forte. Hoje, descobri que isso não é verdade. Pelo menos não para mim. 

Meu objetivo não é fazer ninguém parar de comer carne. Está tudo bem se você gosta de comer uma carne todo dia. Mas já pensou em sair um pouco da sua zona de conforto e descobrir outros tipos de culinária? 

Até a próxima!

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