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O que estou fazendo aqui?

Já faz tempo que muitas pessoas me perguntam o que estou fazendo aqui no Canadá. Para ser mais específica, o que estou fazendo em Trois-Rivières (TR). Afinal, a maioria dos estrangeiros vão para Montreal ou Québec City. Mas como eu sou diferentona, decidi ir para uma cidade menor. Brincadeiras a parte, isso é “meio verdade” .

Quando estava procurando cidades no Québec para aprender Francês, decidi ir para uma cidade menor. Além do custo de vida ser mais barato, eu teria uma imersão no idioma. Para quem quer aprender um idioma, não há melhor que viver o idioma que você quer aprender. Em Montreal, eu falo muito inglês. É uma cidade bilíngue. Para quem quer aprender inglês ou Francês é um pouco complicado. Você fica no Frenglish. Ou seja, fala um pouco dos dois mas não chega a dominar completamente um dos idiomas. A não ser que você faça uns cursos intensivos. Já em Québec City, as pessoas falam muito mais francês. Porém, o custo de vida também era alto para o meu orçamento.

Nessas minhas procuras pelo Google, encontrei a Universidade do Québec em Trois-Rivières (UQTR). Encontrei o curso de francês do jeito eu queria. Eu iria começar uma nova graduação, e ao longo desse tempo, iria aprender francês. Até aqui tudo bem! Mas e agora? A pergunta que não queria calar era: Como vou estudar sem doer tanto no bolso? Como sempre, a minha solução foi o esporte. A minha faculdade tem um time de vôlei. Isso me fez acreditar que esse seria o jeito de ir para o Canadá e pagar meus estudos.

Com a ajuda do bom e velho Google Tradutor, mandei uns e-mails para a técnica para saber se poderia jogar. Afinal, pelas regras da NCAA (liga universitária americana) eu já havia “estourado” há muito tempo. Além de ter jogado meus quatro anos nos EUA, eu também já havia passado da idade limite. Se eu não me engano é 21 ou 22 anos. Depois de algumas trocas de e-mails, recebi o ok e soube que poderia jogar. Eu só precisava passar pelo processo seletivo que seria em setembro. Resumindo tudo, eu passei mas não entrei “literalmente” para o time. Fiquei em uma posição que nós chamamos de Redshirt. Você pode treinar mas não pode jogar. De acordo com a técnica da época, eu ainda tinha dois anos para poder jogar e o time já estava completo. Por isso, eles me ofereceram essa posição de redshirt.

De setembro de 2018 para cá, muita coisa aconteceu. Muita coisa mudou e muitos ciclos se encerraram. Tecnicamente, esse ano seria o ano que eu finalmente voltaria as quadras para jogar. MAS, não foi bem assim que aconteceu. A equipe técnica mudou e o time inteiro teve que passar pelo processo seletivo. Mais uma vez eu passei. Mas dessa vez, seria ponteira uma das primeiras posições que joguei na vida. Tudo certo até aqui, até que eu torci o pé semanas antes do nosso primeiro torneio. Durante esse tempo, descobri que minha verificação de elegibilidade não havia sido feita. Os dois anos de elegibilidade que disseram no ano passado, não era totalmente verdade. Nessas horas, eu tenho a certeza que existe algo maior que nós. Nada acontece por acaso!

Depois de 1 ano e meio de espera. Hoje, eu recebi a resposta que não poderei jogar. Apesar da liga universitária no Canadá não ter limite de idade, eu já havia jogado os meus quatro anos nos EUA. De acordo com as regras, os atletas precisam escolher entre a NCAA ou USports (liga universitária canadense). Dessa forma, os atletas que terminassem os 4 anos nos EUA não poderiam vir para cá e jogar. Eles estão certos. Mas, gostaria de ter recebido essa reposta um pouco antes. Acontece… Eu fui a primeira a fazer isso.

Se você está se perguntando: e a bolsa de estudos? Bom, agora não tem mais. Como minha mãe fala: “para tudo tem jeito. E quando não tem jeito, jeito tá dado.” O importante é que a espera acabou e que agora posso seguir em frente com outros projetos. Sei que precisarei fazer alguns e ficar sem jogar será um pouco chato. Entretanto, estou feliz que esse ciclo se encerrou. Eu já sentia que esse mundo de esporte universitário não era mais para mim. Afinal, eu tenho uma diferença de quase 10 anos com algumas das meninas. Estava mesmo na hora de encerrar esse capitulo. Farei parte do time, mas de uma outra maneira.

Por enquanto é tudo muito incerto. Não sei muito bem o que vai acontecer… Enquanto isso não se resolve, vou seguindo em frente e fazendo minha graduação. Estou estudando Comunicação Social com foco em Novas Mídias. Uma hora tudo se encaixa e eu encontro a resposta que tanto procuro. Sem pressa… Afinal, tudo tem seu tempo.

Até a próxima!

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