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A vida no Québec – Ano 2

Antes de ir para o Brasil durante as festas de final de ano, eu estava com muito vontade de voltar de vez para o Brasil. Eu estava muito frustrada com tudo que estava acontecendo. O meu mundo deu um giro de 180o e me deixou muito perdida. Minhas inseguranças vieram à tona e o medo que tudo fosse dar errado consumiu a minha mente. Eu fui invadida pelo sentimento de “não dá mais. Eu vou desistir de tudo isso e ir embora.” Mas ainda não foi dessa vez que eu fui vencida pela ansiedade e pela insegurança. Afinal, recomeçar em outro país tem dessas coisas mesmo. Mas tudo passa, e eu sei que essa fase também vai passar…

Vir para o Canadá foi uma escolha.

Eu sempre quis aprender francês e morar em outros países. Uma das minhas grandes paixões é aprender sobre novas culturas. Eu amo poder vivenciar e conhecer a maneira que as pessoas de outras nações pensam e se comportam. E para cada escolha, existe uma consequência. No meu caso, foi ter que aprender a lidar com a barreira do idioma e alguns preconceitos que eu não imaginava ter que lidar. 

Para quem ainda não sabe, eu moro na cidade de Trois-Rivières na província do Québec. Eu escolhi morar aqui por uma série de motivos, incluindo a imersão francófona e o baixo custo de vida. Porém, aqui é uma cidade pequena. Como toda cidade pequena, a população é mais conservadora, e consequentemente, o preconceito é mais presente.

Sim! Aqui existe preconceito como em qualquer lugar do mundo.

Como algumas pessoas já comentaram comigo, aqui é um “preconceito educado.” A maneira que as pessoas falam não é em um tom agressivo, como nós vemos na maioria dos lugares. Eles falam de maneira educada porém o tom é preconceituoso. No meu caso, , eu sofri o velho estereótipo da mulher brasileira. Assim como, sofri preconceito por ser diferente e por ser estrangeira. Não é a primeira vez que passo por esse tipo de coisa, e tenho certeza, que não será a última vez. Mas tudo bem, eu conheci muita gente legal que me fez deixar de lado esse povo chato.

E emprego? Bom, emprego tem e a gente quer!

Primeiro, a minha principal barreira era o idioma. De uma certa maneira, continua sendo… Afinal, eu trabalho com comunicação e marketing digital. Por isso, tudo precisa ser em francês. Escrever nesse idioma abençoado é um grande desafio. Além disso, aqui é preciso ter alguma experiência no Québec ou algo que mostre alguma conexão com a província. É aquela velha história da procura pelo primeiro emprego. É preciso ter experiência, mas como ter experiência se ninguém quer dar uma chance? É claro que existem as exceções, mas não é o meu caso. O jeito é seguir tentando mesmo. Uma hora a oportunidade aparece.

Voltando a falar um pouco de preconceito. Aqui eu também encontrei pessoas que acreditam que os estrangeiros vão tirar os empregos dos cidadãos locais. Eu entendo as pessoas que pensam dessa maneira. Porém, algumas áreas estão precisando de mão de obra, por que não deixar um estrangeiro ocupar a vaga? Ta faltando gente!

Apesar de tantos tropeços e frustrações, eu não sou infeliz. Muito pelo contrário… Hoje, eu trabalho com as redes sociais do time de vôlei da faculdade. Posso não receber o apoio financeiro de que eu gostaria, entretanto, eu adoro o que eu faço. Recebo um apoio incrível da minha equipe e isso é tudo que eu preciso para continuar seguindo em frente. Foram 18 meses de estranhamento, mas finalmente encontrei o meu lugar na equipe. Elas abraçaram as minhas diferenças e esquisitices, e viram que eu não estou aqui para tirar. Estou aqui para somar.

Por fim, se tem uma coisa que eu aprendi durante todos esse anos morando fora, foi nunca deixar de ser eu mesma.

As pessoas vão te julgar de qualquer jeito, e muitas delas vão tentar fazer com que você se encaixe a padrões que não são os seus. Quando morei nos EUA, eu tentei me encaixar a padrões que não eram meus e deu no que deu. Olá depressão, tudo bem? Eu achei que estava fazendo o certo, mas acabei me perdendo de mim mesma. Tudo bem. Levo tudo como aprendizado. Por isso, aqui no Canadá, eu decidi fazer diferente. Me adaptei.

Não é lutar contra a maré, mas também não é deixar de ser quem eu não sou. É respeitar as diferenças e a adaptar àquilo que faz bem. Com respeito e paciência, a gente vai mostrando que o diferente não é tão ruim assim. Tá tudo bem ser diferente. O diferente agrega. O diferente transforma. E assim, eu continuo sendo pistache.

Um comentário em “A vida no Québec – Ano 2 Deixe um comentário

  1. Logo menos te visitarei. Em outubro meu irmão vai embora da Irlanda para aí, e minha comadre vai embora com a família em janeiro. Até breve! 🇨🇦🇧🇷💞😚

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