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Viajar em tempos de COVID-19: parte 1

Eu sei o que você deve estar pensando: “Nika! Você está doida de viajar no meio dessa confusão.” Sim! Concordo com você. Eu sou um pouco doidinha mesmo. Mas eu não estaria “cometendo essa loucura” se não fosse por um excelente motivo. E o meu coração dizia que era hora de voltar para casa. Apesar de estar mais segura no Canadá, eu queria estar em casa, perto da família, no meu porto seguro.

Então, depois de algumas ligações com pitadas de choro e emoção, eu consegui um voo de volta para casa. Eu sei que existe a possibilidade de não poder voltar para o Canadá. Afinal, ninguém sabe dizer quando poderemos sair de nossas casas e voltar a nossa tão amada rotina. Mas para ser sincera, essa é a menor das minhas preocupações. Tudo que eu quero é ir para casa. Eu só quero o aconchego do meu lar e o carinho daqueles que amo.

Bom, mas e aí? Como foi fazer um voo internacional em tempos de pandemia?

A minha primeira tentativa de sair foi frustrada. Todos os aeroportos estavam fechados. Além disso, todos os voos para o Brasil haviam sido cancelados. Bom, e agora? O jeito é tentar o consulado brasileiro, certo? Mais ou menos. Todos os voos de repatriamento para brasileiros que estão sendo realizados pela FAB são destinados a brasileiros que estão em países com o sistema de saúde precária. Ou então, para pessoas que não tenham condições de comprar uma passagem no meu voo. De acordo com o consulado, eu não me encaixo em nenhum desses quesitos. Apesar da frustração, eu pensei “Tudo bem. Eu vou encontrar um jeito. Afinal, algumas pessoas devem estar em uma situação bem pior que a minha”

Se nem o plano A, nem o plano B, deram certo, o jeito foi partir para as próximas letras do alfabeto. Após algumas tentativas e umas pitadas de “PELAMOR DE DEUS moça, ajuda eu…”, eu consegui um voo de última hora para o Brasil. E foi aí que eu realmente me senti em um desses filmes hollywoodianos.

O meu voo sairia de Toronto. Por isso, eu teria que dar um jeito de chegar em Toronto 4 horas antes. Você deve estar pensando: “Moleza. Pega um avião ou um ônibus”. O primeiro desafio começa quando o aeroporto de Montreal está fechado. Para ir para Toronto de avião eu teria que comprar um bilhete estratosférico de caro. Não iria rolar. Então, vou de ônibus, certo? Errado. O ônibus também estava caro e teria que fazer milhões de paradas. Sem falar no alto risco de contaminação durante as longas horas dentro de um ônibus. Afinal, eu teria que parar em Montreal. Lá é o principal foco da pandemia na província do Québec. E agora José?

Bom, eu poderia pedir “Pelamor de Deus amiga! Ajuda eu e me leva para Toronto.” Mas aí eu tinha mais um problema. Está proibido ter duas pessoas no mesmo carro. Se você não tiver um bom motivo, as duas pessoas podem receber uma multa que varia de 300 a 1.000 dólares. Além disso, eu teria que passar por Montreal, principal foco da pandemia na província do Québec. Perto da cidade, eles criaram uma barreira que limita a entrada das pessoas. O jeito foi alugar um carro e encarar 7h de estrada até Toronto. Ainda bem que eu havia acabado de receber o salário do meu último “freela” de rede social. Deus não abandona “noix” nunca.

Como eu viajei no final do dia, não havia tanto policiamento nas ruas. Deve ter sido por isso que vi tantos carros na estrada para uma época de pandemia. Todo mundo tentando ir de uma cidade a outra sem receber uma multa.

Foi nesse momento que eu também percebi o quanto era privilegiada por ter morado em países como Estados Unidos e Canadá. Como a viagem era longa, eu tinha que parar algumas vezes para esticar as pernas e abastecer. Em uma das 3 paradas que fiz, eu olhei para o relógio e vi 23:45. Estava tudo deserto no ponto de descanso. Eu desci do carro e abasteci o carro tranquilamente, sem ninguém mexer comigo. Como eu queria que isso fosse possível no Brasil…

Chegando em Toronto, queria parar em algum lugar para dormir por algumas horas. Mas as diárias dos hotéis estavam fora do meu orçamento de estudante universitária. Por isso, o jeito foi ir até o ponto de devolução do carro e torcer para que me deixassem dormir no carro até a hora do meu check-in. Como Deus é pai, foi exatamente isso que aconteceu. Mais uma vez, me senti em uma situação de filme. Estacionei o carro, desliguei tudo e dormi por algumas horinhas.

Bom, depois de passar por isso tudo, você deve estar pensando: “Ah Nika! Agora é tranquilo.” Será? Minha psicóloga me chama de Sra. Pistache com pitadas de treta. Além disso, algumas amigas falam que viagem comigo só pode ser com aventura. Por fim, outras falam que se pudessem, elas não viajariam nem no mesmo planeta que eu. Mas o resto dessa aventura, eu conto no próximo post. E uma coisa é certa:

Não é fácil viajar em tempos de COVID-19. Por isso, fique em casa. Só viaje ser for extremamente necessário.

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