Ir para conteúdo

Sonhos e escolhas

Talvez você não saiba, mas dentre as milhões de coisas que faço, eu também sou técnica de vôlei. Eu dou treino para todas as idades. Entretanto, a minha especialidade é com a garotada de 8 a 14 anos. Mas por quê estou falando isso? Bom, eu tenho percebido muitos jovens talentosos abandonarem o esporte. Como o esporte me abriu e ainda me abre muitas portas, decidi compartilhar um pouco do que aprendi ao longo desses anos como atleta e técnica.

Ser atleta é uma escolha e não uma obrigação.

Ser uma atleta de alta performance é uma escolha. Porém, cada escolha vem acompanhada de muitas responsabilidades. Neste caso, para ser um atleta de ponta, é preciso abrir mão de muitas coisas. É preciso abrir mão de uma festa ou outra porque tem treino de manhã cedo. É não poder viajar com os amigos no feriado. Afinal, o torneio cai no mesmo dia. Por fim, se você for estudante-atleta, como eu fui, é preciso equilibrar os estudos e o esporte ao mesmo tempo. Se você não tiver boas notas, você não pode jogar.

Apesar de tantas responsabilidades, eu nunca me senti obrigada a fazer nada. Afinal de contas, se tem uma coisa que eu não sou é obrigada. Ninguém gosta de fazer as coisas obrigado. É chato mesmo. Mas, eu nunca me senti obrigada a levantar cedo, ter uma alimentação saudável. Eu entendia que tudo aquilo fazia parte da vida de um atleta. Nem tudo na vida será divertido. Eu não gostava de acordar 5 da manhã para treinar, mas esse era o horário do treino. Eu iria faltar? Não. Faz parte.

Talvez você esteja se sentindo da mesma maneira no seu trabalho, ou na sua carreira de atleta. Você se sente obrigado a fazer as coisas contra a sua vontade? Ou entediado por fazer coisas chatas e que fazem parte do processo?

Credit: Peter Fogden

Sonhos podem se realizar de diversas formas.

Poucas pessoas sabem, mas eu sempre sonhei em ser jogadora profissional de vôlei. Eu queria viajar o mundo inteiro. Assistia os atletas na TV e queria ser como eles. Entretanto, a vida me apresentou outros caminhos e outras oportunidades.

Em 2008, ganhei uma bolsa de estudos integral para jogar vôlei universitário e estudar nos EUA. De lá para cá, morei em dois países diferentes. Aprendi 3 idiomas e tenho 3 diplomas, onde um deles é um mestrado. Hoje em dia, estou em busca do meu quarto diploma. Se você ainda não sabe, estou cursando a minha segunda graduação na UQTR em comunicação social. Graças ao vôlei, eu conheci muitos lugares incríveis. Meu sonho de jogar no exterior se realizou? Sim! Eu viajei pelo mundo? Também. Só não aconteceu da maneira que eu idealizei.

A vida tem dessas coisas. Ela não é uma planilha de Excel certinha. Ela muda constantemente, e sempre nos mostra novos caminhos a serem trilhados. Talvez o seu sonho possa não se realizar da maneira que você sempre idealizou. Já parou para pensar nisso?

Não diminua nem desmereça o sonho de ninguém.

Eu não teria chegado aonde eu cheguei sem a ajuda da minha família, dos meus amigos e todos os profissionais que tive a oportunidade de trabalhar. Ninguém entendia muito bem os meus sonhos meio loucos. Porém, eles sempre me apoiaram. Eles só queriam a minha felicidade e o meu sucesso. Todos eles sempre me disseram que o caminho seria longo e difícil. Por isso, eles me deram ferramentas para ir atrás dos meus objetivos.

Lembra quando você era criança e tinha aquele sonho de ser médico, ter o seu próprio negócio, ou de viajar o mundo? Como você se sentiu quando as pessoas te disseram que isso nunca iria acontecer, ou que isso era coisa para quem tinha muito dinheiro? Tenho certeza que você se sentiu bem triste, não é?

Se o seu amigo, seu filho ou alguém que você conheça deseja ser atleta alta performance, incentive. Se o seu amigo quiser abrir o próprio negócio, incentive. E se a sua irmã quiser mudar de profissão, incentive também. Idade é só um número. Esportes e profissões não faltam. O seu sol não vai brilhar menos por ter incentivado alguém. Muito pelo contrário… Portanto, ajude alguém a ir atrás do próprio sonho!

Ah! E mais uma coisinha… Mas essa é para você que é pai, mãe ou algum adulto que acompanha um jovem atleta. 

Não tire a alegria do seu atleta.

Eu vejo muitos pais vendo filhos como minas de ouro. Eles fazem com que o ser atleta deixe de ser uma escolha, e passe a ser uma obrigação. Aqui no Brasil, vejo muitos pais pressionando meninos a serem jogadores de futebol profissionais. Dessa forma, eles irão sustentar a família. Já nos EUA, eu vi pais pressionando os filhos a serem atletas de alta performance para conseguirem uma bolsa de estudos integral em uma grande universidade.

Com tanta pressão, isso causa o famoso burn-out. Muitos jovens abandonam os esportes por que aquilo deixou de ser legal ou divertido. Eu vi uma pessoa muito querida chegar a esse ponto. Ela foi de um extremo ao outro, do esporte para as drogas.

Talvez seu filho não vá ser aquele jogador profissional que você tanto sonhou. Talvez ele nem queira ser profissional. Provavelmente, ele só queira se divertir com os coleguinhas. E o seu amigo? Talvez, ele não queira ser um confeiteiro de sucesso mundial. Talvez ele só goste de cozinhar para se distrair. E está tudo bem.

Vamos deixá-los serem felizes!

Deixe uma resposta

pt_BRPortuguês do Brasil
en_USEnglish fr_CAFrançais du Canada es_ESEspañol pt_BRPortuguês do Brasil
%d blogueiros gostam disto: