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Nada vem do nada!

Se você sofreu bullying na sua infância ou adolescência, pode ser que isto esteja afetando a sua vida adulta. Eu sei que comigo foi assim. Por isso, decidi fazer uma série de posts falando sobre a minha experiência com o bullying, assédios entre outras coisas que afetaram a minha autoestima, meus relacionamentos, etc. Tudo isso faz parte do processo de cura que estou passando. Talvez ajude alguém que esteja passando pelo mesmo. Então, cola comigo!

Há algumas semanas atrás, eu perguntei a minha psicóloga que estava cansada de não me achar bonita o suficiente, não me achar merecedora dos elogios que eu recebo, das coisas que consigo, etc. Eu queria saber como poderia resolver isso. Afinal, tudo isso estava afetando minha vida profissional e meus relacionamentos. Foi então que ela me perguntou:

“Como foi a sua infância? A sua adolescência?”

Nesse momento, eu senti que tinha entrado em um túnel do tempo. Todas as lembranças do bullying que havia sofrido na adolescência voltaram de uma só vez. Todas as memórias das piadinhas e comentários que faziam ao meu respeito, me trouxeram um desconforto enorme. Incômodo que eu ainda sinto ao escrever esse texto para você, querido leitor. Eu não imaginava que algo que havia acontecido há tanto tempo ainda me afetava com tanta força.

Mas o que aconteceu?

Quando eu fui para o ensino médio, eu decidi mudar de escola. Eu não tinha muitos amigos, e por algum motivo, me sentia um peixe fora d’água. Nunca vou me esquecer do dia que eu falei para o meu professor da minha antiga escola que queria fazer duas coisas completamente diferentes na faculdade e ele me disse: “Não! Você não pode. Só pode escolher uma coisa.” Oi?

Para completar esse nó todo, eu nunca fui uma adolescente fácil. Sempre fui rebelde. Só que eu também queria ter o meu grupo de amigos na escola, queria ter um namoradinho assim como a maioria das adolescentes. Então, eu recebi uma bolsa de estudos para jogar vôlei em uma escola particular e que era considerada uma das melhores do país. Essa era a minha oportunidade para mudar de escola e ter aquilo que eu sempre quis. Mas não foi bem assim…

Como em todas as escolas, sempre tem o grupo dos “populares” que pegam no pé dos outros alunos.

É claro que eu estava entre os alunos que eram zoados. No meu caso, fui apelidada de “baiacu” e “baiaca”. Eu tenho os olhos grandes e sempre fui bochechuda. Porém, quando você é comparada a um peixe, a auto estima que não era muito alta vai lá para baixo. Até hoje eu tenho um problema para tirar fotos ou aparecer em vídeo. Tenho medo de ficar parecendo muito redonda.

E como se já não bastasse a zoação na escola, o mundo do esporte também não era dos mais fáceis de se viver. Durante a vida toda, eu escutei dos meus técnicos que eu estava gorda ou fora de forma. Assim como eu já escutei que precisava perder massa magra porque estava muito forte. Em outras palavras, nunca estava bom. Se eu não estava magra o suficiente, eu estava forte demais.

Como se já não bastasse a pressão de viver dentro de padrões no Brasil, nos EUA não foi muito diferente. Se você acabou de chegar por aqui, você precisa saber que recebi uma bolsa de estudos integral para jogar vôlei e estudar nos EUA. Lá, eu acreditava que tudo seria diferente mas não foi bem assim. Para minha sorte ou um pouco de falta dela, eu sempre fui a única brasileira. Por um lado foi bom, pois eu aprendi o inglês muito mais rápido e fiquei praticamente sem sotaque. Por outro, eu sempre era vista como “weird” ou estranha. Afinal, eu pensava e me comportava diferente. Eu gostava de coisas diferentes e queria fazer coisas diferentes. Até tentei me encaixar, mas não deu muito certo.

Mas aonde eu quero chegar com isso tudo?

Com tantas críticas e zoações, eu passei a compensar em outras coisas. Na liga universitária americana, os atletas precisam ter uma boa performance dentro e fora das quadras para poder jogar. Se você não possuir a média mínima, você não pode jogar. Nessa época, eu já estava tão paranoica com tantas críticas que havia recebido, decidi ser perfeita em tudo. Eu queria ter o corpo perfeito e ter a média perfeita. Dessa forma, eu seria uma atleta “perfeita” e ninguém teria desculpar para pegar no meu pé. Além disso, eu acreditava que estar 0% de gordura, me faria ficar mais bonita, ser bem aceita, bem sucedida, etc.

Graças a terapia, eu estou começando a fazer as pazes com o meu passado, com a comida e até comigo mesma. Eu sei que não sou mais a mesma menina de 15 anos atrás. Tenho consciência que todas as minhas experiências me ajudaram a ser a mulher que sou hoje. Entretanto, elas não me definem. 

Eu sei que nunca foi uma adolescente fácil. Entendo que essa minha “personalidade forte” influenciou um bocado em tudo que aconteceu. Mas, como técnica e professora, sei que existem outras maneiras de ajudar jogadores e alunos a serem pessoas melhores. Assim como, eu sei que existem maneiras melhores de mostrar a importância de ter uma alimentação equilibrada e saudável.

As palavras têm poder.

Nós, adultos, podemos impactar de maneira positiva ou negativa a vida de crianças e adolescentes. De um modo geral, o que nós dizemos e a maneira como falamos podem fazer ou destruir dia de alguém. Por isso cuidado com aquilo que diz.

E se você passou por algo assim, ou está passando por algo assim, respire e não pire. Está tudo bem. Isso vai passar. Você não precisa ser perfeitx para ser bem sucedido, nem ter o corpo perfeitx para ter alguém legal ao seu lado. A sua vibe atrai a sua tribo. Deixe passado no passado. Uma hora as coisas se encaixam.

Vai dar tudo certo!

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