Ir para conteúdo

Mãe de planta

Durante os últimos cinco meses, precisei desenvolver novos hábitos e novas rotinas. Ao longo dessa busca, acabei me descobrindo “mãe de planta”. Eu sempre fui apaixonada por flores e plantas. Quando era pequena, eu plantei um caminho florido para a porta da minha casa. Mas, eu cresci e nunca mais cuidei de nenhuma plantinha. Até que a COVID-19 resolveu chegar, e me reconectar com minhas paixões de menina, como desenhar, escrever e cuidar de plantas. Por isso, hoje estou aqui para compartilhar 3 coisas que aprendi ao virar mãe de planta.

Aqui em casa, eu montei um pequeno jardim. Tenho plantas e flores de espécies e cores diferentes. Como toda mãe de planta que quer ver as filhas crescerem fortes e saudáveis, eu acabei dando amor e carinho demais. Foi assim que aprendi a minha primeira lição:

Todo o excesso faz mal

Eu sempre acreditei que todos os dias era preciso regar as plantas. Além disso, eu inventei de fazer uma mistura com banana, ovo e café para ajudar no crescimento das minhas plantas. Eu acreditava que seria uma ideia genial. Porém, eu acabei me enganando. Eu errei a receita, errei a dose… Enfim!

Marias

O excesso de água quase afogou as minhas plantinhas. Para completar, a mistura do poder deu um empurrãozinho para que as minhas filhas adoecessem. O meu excesso de amor e excesso de “comida” acabou fazendo o efeito contrário. Elas adoeceram e eu precisei levar na floricultura para conseguir salvá-las. Entre mortas e ferias, salvaram-se quase todas. E ainda levei um puxão de orelha bem merecido.

Muitas vezes, nós queremos tanto ajudar ou amar alguém que acabamos nos atrapalhando com esse excesso de cuidado. Se água e comida em excesso fazem mal, cuidar em excesso também faz mal.

Continuando o meu processo de aprendizado, eu acabei compreendendo que cada plantinha tinha necessidades diferentes. Pode parecer estranho, eu sei. Mas apesar de todas serem plantas, cada uma precisa de um cuidado diferenciado. Foi assim que aprendi a minha  segunda lição:

É preciso respeitar as diferenças

Josefina e Godofredo
(Árvore da Felicidade)

Nesse meu pequeno jardim que se espalhou para alguns cantos da casa, eu tenho filhas de diversas espécies. A começar pelas minhas filhas mais velhas, Filomena e a Madalena. As duas são da espécie “Aranto” e ambas dão mudinhas. Entretanto, a Filó é uma suculenta e precisa de bem menos água que a Madalena. Já o Godofredo e a Josefina, são o casal da casa. Juntos eles formam a Árvore da felicidade. Para crescerem fortes e saudáveis, o macho e a fêmea precisam estar juntos. Por fim, ele são plantinhas de sombra. Por isso, não poderia deixá-los tomando sol na janela como eu faço com as outras.

Assim como as plantas, as pessoas também são diferentes. Cada um de nós possui necessidades e vontades diferentes. Não adianta eu tratar João da mesma maneira que trato Maria. Como professora e técnica, eu sei que cada aluno e cada atleta que eu tenho são únicos. E por isso, eu procuro dar atenção que cada um precisa.  Eu sei que quando temos uma turma grande, é difícil tratar cada pessoa de forma diferente. Eu nem sempre acerto, mas também nem sempre erro. E está tudo bem. O importante é que os meus alunos sabem que eu os conheço, e respeito o momento e o tempo de cada um. 

Filomena
(Aranto)
Madalena
(Aranto)

Por fim, quando eu pensava que os meus aprendizados como mãe de planta tivessem acabado, a Madalena resolveu me surpreender e mostrou que iria florescer. Como marinheira de primeira viagem e desconhecedora de plantas, eu não sabia que algumas “Aranto” podiam florescer. E foi durante esse processo de florescer que aprendi minha última lição:

O tempo de Deus

Eu pulei de alegria quando percebi que minha querida Madá iria florescer. Mas como toda mãe de primeira viagem que fica ansiosa para ver as filhas desabrochando e embelezando o lugar, eu não tive a paciência de esperar o tempo da minha Madalena crescer e florescer. Lembram daquela misturinha que deu errado? Então, eu fiz para Madá e ela adoeceu. Para minha sorte, consegui trocar a terra e hoje ela está forte e crescendo no tempinho dela. O tempo de Deus é assim também.

Deus sabe o momento que as coisas precisam acontecer. Ele sabe que existe o momento de plantar, crescer e colher. As flores da Madalena cresceram e desabrocharam, e suas folhas deram novas mudinhas para serem plantas. Mas, em determinado momento, as flores começaram a murchar e cair. No início, eu achei que minha filha estava adoecendo novamente. E foi aí que mais uma vez percebi o tempo de Deus.

Madá e suas flores

Tudo tem seu tempo para durar. As flores da Madalena caíram para dar espaço para novas flores poderem nascer. O mesmo acontece em nossas vidas. Eu sei que é insuportável tentar, tentar e nada dar certo. Eu sei que é angustiante estudar e estudar para nunca passar na prova. Mas respire e não pire.

Às vezes, seu tempo de florescer ainda não tenha chegado. Deus está te preparando algo muito melhor para você. Continue cuidando de você e respeitando o seu tempo. Vai dar tudo certo.

O tempo de Deus é perfeito.

Deixe uma resposta

pt_BRPortuguês do Brasil
en_USEnglish fr_CAFrançais du Canada es_ESEspañol pt_BRPortuguês do Brasil
%d blogueiros gostam disto: