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A verdadeira mulher balzaquiana

Quando eu fiz 30 anos, muitas pessoas começaram a me chamar de balzaquiana. Curiosa que sou, resolvi procurar saber quem era essa tal mulher de Balzac que tanto me chamavam. Foi assim que decidi ler “Cenas da vida privada – A mulher de trinta anos” de Honoré Balzac. E hoje, estou aqui para compartilhar 5 coisas que aprendi sobre a verdadeira mulher balzaquiana.

Para você que nunca leu o livro, é importante saber que a estória se passa na França do século de 19, nos tempos de Napoleão. Porém, muitos dos acontecimentos da trama pareciam se passar em pelo século 21.

A ingenuidade dos 20 pode ser uma benção e um problema.

Logo no início do conto, o pai da jovem moça tenta avisa-la que as aparências enganam. Ele avisa à jovem que Victor não é aquilo que ela pensa. Mas como diz o velho dito popular inglês, ela era “Young and stupid” ou “jovem e estúpida.”

Para ser velho e sábio, primeiro você precisa ser jovem e estúpido.

Ela se casa com o Victor Aiglemont. Um belo general do exército de Napoleão que era muito famoso por suas conquistas nas guerras e que tinha muito dinheiro. Porém depois de se casar, o marido manda nossa heroína para viver com a tia dele. E assim ela descobre que seu velho pai estava certo.

Ela começa a viver um relacionamento abusivo, onde o marido a trata como um objeto. Na frente da alta sociedade francesa, Julie era o troféu a ser apresentado devido a sua beleza exuberante. Mas por trás das luzes parisienses, ela sofria maus-tratos do marido como violência domestica e traição. E isso tudo afetou a saúde dela e que o marido jurava que essa “fragilidade” era apenas “algo de mulher.”

Ela vivia o conflito de querer morrer, mas depois queria fugir com seu amor platônico e largar os filhos.

Antes de conhecer o amor da sua vida, ela se apaixona por um jovem médico que a tratava com toda atenção e carinho que o marido não dava. Porém, os dois nunca chegam a ter um caso. Eles apenas viviam esse amor platônico que ela sabia que era errado. Porém, era o momento que ela se sentia mulher e admirada. Ela era depressiva e vivia um relacionamento abusivo. Julie queria sair daquela vida, mas a responsabilidade de mãe e esposa sempre falavam mais alto.

A mulher de 30 anos sabe o que ela quer.

Aos 30 anos, a nossa personagem de 30 anos que para os padrões da época já é uma senhora, conhece o seu verdadeiro amor. Nessa idade, ela já não se impressiona com qualquer gesto. Ela escolhe as suas batalhas e é muito segura si.

Ela se apaixona por um diplomata que é da mesma idade. Ele também não se encanta mais com as luzes deslumbrantes de Paris e todas as belezas superficiais que a sociedade parisiense oferecia. Mas, ela ainda estava casada. Por isso, esse romance não foi muito longe.

Ela nunca se libertou de verdade

A marquesa e seu marido continuaram juntos e eles tiveram muitos filhos. Porém, nossa heroína nunca se separou. Afinal, isso era algo inimaginável para a França do século 19.

Ela manteve as aparências da família perfeita até o último instante. Preferiu que os filhos a vissem como a vilã da estória do que ao pai. Ela fazia o jogo de cintura para manter as contas da família que muitas donas de casa hoje em dia fazem. O marquês, seu marido, tinha problemas com o jogo além dos outros problemas mencionados. Mas “ai de os filhos saberem”

Mas como no final dos seus dias, ela tenta “salvar” sua filha mais nova, Moîna, de cometer o mesmo erro que ela cometeu. E a mais uma vez, a história iria se repetir. A jovem Moîna que idolatrava o pai achava que a mãe estava louca. Afinal de contas, a mãe que sempre foi a errada com os seus casos extraconjugais.

Escutem seus pais.

Nós, jovens, temos o péssimo hábito de acreditar que somos os donos da verdade e que já sabemos tudo sobre a vida. Porém, nós esquecemos de um pequeno detalhe: nossos pais já estavam aqui quando nós nascemos. Isso quer dizer que eles possuem muito mais tempo de estrada que nós.

Nenhuma família é perfeita. Porém, muitas vezes, através daquele jeito truncado de ser, nossos estão tentando nos avisar e nos ajudar a percorrer o caminho menos doloroso. Afinal, a maçã não caiu muito longe da arvore. Em outras palavras, nós temos muito mais hábitos dos nossos pais do que possamos imaginar. Escute os. Tenho certeza que você não vai se arrepender.

E mais uma coisinha…

Não fique em um lugar que te faz sofrer.

Se tem algo que aprendi com a minha querida marquesa de Aiglemont é que não quero ser como ela. Não me leve a mal. Eu quero ser segura de mim mesma e ter a sabedoria de escolher as minhas próprias batalhas. Assim como, eu quero encontrar o amor da minha vida. Porém, eu quero ser livre para viver todos esses momentos.

Os trinta anos são um grande marco mesmo. Essa é uma década que traz os questionamentos do tipo: “o que eu estou fazendo/ o que fiz com a minha vida?”, “essa não é a vida que eu imaginei.” “Será que eu largo tudo e começo de novo, ou deixo do jeito que está?”

Os trinta anos são incríveis. Eles nos desafiam a deixar para trás tudo aquilo que não se encaixa na vida que nós queremos construir. Eles nos deixam muito mais pé no chão. Isso não quer dizer que não deixemos de sonhar. Eles apenas nos tornam sonhadores realistas. E não tem nada de errado com isso.

E aí, você quer ser ou não uma balzaquiana?

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