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A vida sem as pérolas

Tô sumida, né meu povo? Depois que a minha mãe se foi, minha bússola quebrou. E agora, estou um pouco perdida. Sigo procurando meu norte e a direção que devo seguir. Durante todo esse tempo, recebi muitas perguntas sobre como estou, como tem sido essa nova fase, e sobre quais sãos os meus planos.

Bom, a verdade é que a minha vida virou de cabeça pra baixo. Eu pedi que Deus tomasse as rédeas da minha vida. Mas eu não imaginava que tanta coisa iria acontecer. Recomendo que você sente porque lá vem história. Como toda boa história, vamos começar do começo.

Paz do adeus

O dia que a Dona Maria partiu foi um dia diferente. Eu sentia a paz e a tranquilidade de que ela havia ido na hora dela.  A minha paz e tranquilidade era tanta que isso assustou muita gente. Como algumas pessoas me contaram meses depois, a mensagem que mandei para as pessoas próximas avisando do ocorrido foi de alívio e ao mesmo tempo de preocupação.

Eu sabia que a missão dela havia se cumprido e que ela tinha parado de sofrer. É claro que como filha, eu chorei e sofri. Mas em meu coração, sabia que a cura que eu tanto rezava iria acontecer no plano espiritual. E para ser sincera, foi a melhor coisa que aconteceu. Quem gosta de ver a pessoa que ama sofrendo?

Apesar de toda a saudade que sinto da minha mãe, a melhor coisa que aconteceu para mim e para minha família foi a sua partida. Mas isso é papo para outro dia…

A mudança

Depois que a Dona Cristina se foi, meu mundo virou de ponta cabeça. Lembra que eu pedi a Deus para tomar o controle do meu barco? Pois é… Eu só não imaginava que viria um furacão com doses de tsunami e terremoto.  As coisas ficaram tão difíceis que até crise de ansiedade tive.  

Nesse meio tempo, sonhei com a minha mãe. Ao invés de ter tido um sonho bom e de conforto, foi um sonho de aviso. As coisas iriam ficar ainda mais difíceis mas que eu deveria segurar firme. No final, tudo ia dar certo.

Minha mãe nunca foi daquelas que passavam a mão na cabeça dos filhos. Ela tinha um jeito especial de puxar a orelha de todos, de nos motivar a seguir em frente, e de sempre olhar o lado bom das coisas, mesmo quando o mundo estivesse acabando. E se ela disse que vai ficar tudo bem, vai ficar.

Fuga

Com tanta coisa acontecendo, resolvi fugir. Fui botar a cabeça e o coração no lugar. Mas, tudo que eu encontrei foram mais dúvidas, questões e um coração que ainda precisava de muito cuidado.

Quando a Dona Cristina se foi, acabei entrando em um piloto automático, fui lidando com situações que precisava lidar e acabei me deixando um pouco de lado. Só que o problema disso é que uma hora a conta chega. Acabo de sair do meu fisioterapeuta e escuto aquilo que todos me falam: “Você precisa distrair mais a cabeça, estar em movimento mas sem usar tanta força. E ao invés de internalizar tanto as coisas,  bota mais o que você sente pra fora.”

E para mim, botar para fora é escrever, cozinhar, dançar, criar, meditar com frequência… Ou seja, tudo aquilo que eu não estava fazendo.

E agora?

Bom, estou aqui.  Cheia de ideias, vontades, emoções, e sem saber muito bem para onde ir. Estou dentro de um carro com pneu furado e querendo fazer a troca do pneu enquanto o carro está em movimento. Confesso que não é algo muito inteligente de se fazer. E é por isso que resolvi desacelerar.

Se meu aprendizado ao longo desses meses valer de algo, fica aqui uma última reflexão para o texto de hoje: Há certas fases da vida que a gente se coloca em segundo plano para cuidar de alguém que amamos, mas em algum momento a gente vai ter que voltar a se escolher. Nem sempre essa escolha será fácil, muito menos legal. Mas em alguma hora, essa escolha terá que ser feita. Não deixe que as coisas cheguem no limite para tomar essa decisão.

Esse é só o primeiro capítulo sobre tudo que eu aprendi e venho aprendendo ao longo de todo esse tempo.

Até a próxima!

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