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Viajar em tempos de COVID-19: parte 2

No último post, você acompanhou a minha aventura de sair de Trois-Rivières até Toronto. Sim, sou meio doidinha e adoro viajar de carro. Quando morava nos EUA, uma das coisas que eu mais gostava de fazer eram as famosas “roadtrips” (viagens de carro). Além disso, a vontade de ir para casa era maior do que qualquer coisa. O que eram 7h dirigindo quando eu estava um voo mais perto de chegar em casa?

Se você acompanha minhas aventuras pelas redes sociais, deve estar pensando: “Será que dessa vez ela vai estar no voo?” E como sempre eu não estava no Voo. Em outras palavras, eu só tinha um bilhete eletrônico que mostrava o trecho que eu iria em fazer. Porém, eu não estava na lista de passageiros de nenhum dos voos. Dessa vez, a confusão foi tão grande que eu passei umas boas duas horas tentando ajudar a atendente me colocar na lista de passageiros.

Como sempre, não ando só.  A representante da Air Canada foi um anjo e moveu céu e terra para me ajudar. Ela conseguiu resolver parte do meu problema. Ou seja, eu conseguiria fazer os trechos Toronto-Houston-São Paulo. Porém, o sistema dela indicava que o voo São Paulo-Brasília estava cancelado. Eu com o meu deboísmo falei: “Não se preocupe. Eu resolvo isso depois. O importante é chegar no Brasil.”

Na hora de colocar as malas, eu confesso que estava com uma certa preocupação. Eu não fazia ideia do peso das minhas malas e sabia que teria que comprar mais uma bagagem. Afinal, a minha passagem só incluía uma mala. Eu, com meu orçamento de universitária, estava rezando para que a conta não fosse tão alta. E mais uma vez, Deus não me deixou na mão. Despachei as minhas duas malas sem custo adicional e a representante nem se importou com o peso das minhas malas.

Para você que não acredita nessas coisas, está tudo bem. Pode ter sido sorte ou qualquer outro motivo. Eu prefiro acreditar que foi a espiritualidade aliviando um pouco o nível das tretas que eu já encaro normalmente durante as minhas viagens.

O trecho que eu fiz foi operado pela Air Canada, United e Latam respectivamente. Essas são as únicas empresas que estão fazendo voo internacional para quem quer ir para o Brasil saindo do Canadá e EUA. Durante todo o tempo que passei nos aeroportos, eu estranhei o vazio e o silêncio em todos os terminais. Quase todas as lojas estavam fechadas e poucas pessoas circulando. Além disso, a segurança estava reforçada e quase todas as pessoas estavam usando máscaras e luvas. Mais uma vez, coisas que a gente só vê nas telas de cinema. 

Para meu espanto, os voos Canadá-EUA, e os voos domésticos nos EUA havia no máximo 10 pessoas por voo. Já o voo EUA-Brasil estava quase lotado para uma época de pandemia. Acredito que todos estavam tentando voltar para casa, ou fugir do caos que está os EUA.

Eu não vi o voo passar. Pela primeira vez na minha vida, eu dormi uma viagem inteira. Acho que quando eu botei o pé dentro do avião, eu relaxei. Apesar do desconforto, eu passei as 10h de viagem com máscara. Eu não queria dar bobeira. Como o voo estava cheio e eu tenho familiares no grupo de risco, todo o cuidado era pouco.

Chegando em São Paulo, as medidas de segurança estavam mais rigorosas. Todos os passageiros tiveram que medir a temperatura antes de pegar as malas. E quando o assunto era manter distância, ninguém pensava nisso. Todo mundo colado e sem máscara, esperando suas bagagens. Ai minha sanidade… E se eu acreditava que aquela situação era incomoda, mal eu sabia o que me aguardava no Check-in para Brasília.

Lembram que o meu voo para Brasília havia sido cancelado? “Poisé, num foi.” Quando eu fui fazer o meu check-in, a atendente da Latam me informou que apesar do meu nome estar no voo, eu teria que ficar na lista de espera. A United não havia feito a reserva do meu assento; por isso, a Latam entendeu que eu não iria pegar o voo e venderam o meu assento para outra pessoa. Ela tentou justificar que eram as novas medidas de segurança, mas eu mantive o deboísmo. Afinal, eu só queria chegar em casa. Apesar de estar no Standby, autorizaram o despache da minha mala. Deus é Pai, né?

Ps.: Eu cheguei em São Paulo as 9:30 e o voo era 12h.

O aeroporto de Guarulhos estava lotado. Além disso, quase ninguém estava respeitando a distancia que devemos manter um dos outros. Eu sei que somos um povo que adora ficar pertinho. Mas agora não é o momento. Além disso, na hora de embarcar, nenhum dos passageiros que estavam no Standby sabia o que estava acontecendo. Ficavam mandando todos para um lado e para o outro. E quando faltavam 20 minutos para decolar, a LATAM resolveu levar todo mundo para Sala de Embarque.

Eu vi muitas lojas abertas. Se eu fosse comparar os aeroportos de Houston e Toronto, Guarulhos estavam com o dobro de lojas abertas. Sem falar no número de pessoas circulando…. Na hora do embarque, fiquei espantada que todos estavam amontoados nas filas. Eram muitas pessoas para poucos assentos. Ainda bem que consegui comprar o meu café para manter a sanidade. Se em Toronto havia apenas 10 pessoas por voo, em São Paulo, todos os lugares estavam ocupados. No final das contas, eu consegui embarcar, mas muitas pessoas não conseguiram. Ainda não entendo o porquê de tantas pessoas estarem viajando nesse período tão caótico.

Ah! Antes que eu me esqueça: Nenhum dos voos estava oferecendo serviço de bordo. Nos voos domésticos, o máximo que ofereciam eram uma garrafa pequena de água e um pacotinho pequeno de torrada. Já no voo internacional, recebíamos um upgrade para um sanduíche de janta e um iogurte no café da manhã.

Se você chegou até aqui, muito obrigada por me acompanhar em mais uma aventura. Se puder, fique em casa. Só viaje ser for extremamente necessário. Eu sei que é difícil ficar em casa sem poder sair. Procure manter a calma. Isso vai passar. É só uma fase ruim que vai acabar já já.

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