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Acabaram as pérolas

Oi meu povo!

Hoje o papo não é tão animado. Talvez você tenha percebido que algo estava acontecendo e decidiu não comentar nada. Talvez, não tenha percebido nada, muito menos visto. De qualquer jeito, muito obrigada a todos que perceberam que algo acontecia na minha família e decidiram não perguntar nada.

Há um pouco mais de dois anos minha mãe foi diagnosticada com câncer nas vias biliares. Por ela, eu larguei tudo no Canadá e fiz a viagem mais louca da minha vida no meio de uma pandemia mundial. Claro, que não foi assim tão simples. Em um primeiro momento, decidi respeitar a vontade dela e ficar no Canadá. Mesmo quando todos me diziam: “Nika, volta para casa. Cuida da sua mãe.” Mas, a Dona Cristina não queria. Seu desejo era que eu ficasse longe dela para cuidar da minha vida. Ainda bem que não atendi seu pedido e decidi voltar para casa. Obrigada a todos os meus amigos e familiares que estiveram do meu lado puxaram a minha orelha.

Na semana passada, a Dona Cristina foi morar ao lado do Pai.

Ela foi encontrar com o filho mais velho e tantas outras pessoas que a esperavam. A mami, como eu a chamava, cumpriu a sua missão aqui na terra. Agora, ela está lá no céu cumprindo sua missão espiritual.

Ao longo desses dois anos, nós invertemos os papéis. De certa forma, eu virei mãe da minha mãe. Passei a cuidá-la da mesma forma que ela cuidou de mim a vida toda. E, todas as vezes que me perguntava se eu estava cansada, eu dizia não. Mesmo quando os meus olhos e a minha fisionomia diziam o contrário… Nós éramos assim, bastava um olhar para saber o que estava acontecendo. Eu fingia que enganava e ela fingia que acreditava.

E mesmo com todas as “limitações”, a Dona Cristina seguia dando bronca, colo do jeito que era possível e impossível e também cuidando da casa. Afinal, sua palavra era sempre a palavra final. Ela tinha uma força única e ensinava a todos a nunca desistir e lutar até o fim. Que mulher guerreira!

Me lembro do dia que nós demos o nosso último abraço.

Ela me disse: “Ah filha! Que saudade de te dar um abraço bem apertado.” Disse a ela que em breve ficaria boa e nós poderíamos nos abraçar bem forte, viajar e fazer tudo aquilo que gostamos. E quantos planos nós tínhamos. Acredito que mesmo que nós vivêssemos 100 anos, ainda assim encontraríamos coisas para fazer juntas. Além de ser minha mãe, e minha fortaleza, ela era e é minha melhor amiga.

Ao longo desse tempo, decidi cuidar dela e do meu pai. Como diz uma amiga minha, eu fiz um “sambodylove” na minha rotina para cuidar deles, treinar, trabalhar e cuidar da casa. Deixei alguns projetos em stand by para me dedicar aos meus dois amores. E quer saber? Eu faria tudo de novo e de novo.

Mas Nika, como você está?

Eu estou bem. Estou em paz. Sentindo muita saudade da minha melhor amiga. Todos os dias eu penso: “Poxa! Como eu queria contar isso ou aquilo para minha mãe.” Ou “Hoje, eu só queria o colo dela.” Nós éramos assim. Não existiam segredos. Afinal, ela sempre me dizia: “Não importa o que aconteça, sempre me conte a verdade.” E eu falava, mesmo sabendo que iria tomar bronca. Mas tudo bem…

Agora, irei escutar a voz dela de um jeito diferente. Vou precisar ficar em silêncio e fechar os olhos. Ela mora dentro mim. Assim como ela mora dentro de cada pessoa que chegou a conhecer a mulher maravilhosa que era a Dona Maria Cristina. Um exemplo de força, garra, determinação, sabedoria, amor e tantas outras coisas.

Antes de partir ela me fez prometer que eu voltaria escrever. E é isso que pretendo fazer. Escreverei sobre tudo que vivi e aprendi ao longo de todo esse tempo. Falarei sobre o amor dos meus pais. Contarei sobre como foi ser mãe da minha mãe, entre muitas coisas que aconteceram ao longo desse período. Se preparem…

Por fim, um último recado.

Talvez pareça clichê, mas cuidem de seus pais, cuidem das suas famílias (não necessariamente a de sangue.). Cuidem daqueles que vocês amam. Mandem mensagem, liguem e digam tudo aquilo que está guardado em seu coração ame. Percam o medo de dizer eu te amo como também, que sentem saudade.

Uma vez me disseram: “Nika, por quê você não escreve uma carta para sua mãe contando tudo que você gostaria de dizer a ela?” Mas eu não precisei. Eu tive a sorte de falar pra minha mãe todos os dias tudo que eu sentia por ela. Falava que eu a amava e queria ser como ela como crescesse. E ela, muito sábia, sempre me dizia: “Eu quero que você seja você mesma.

Não espere. Não deixe o tempo passar. Viva o agora.

3 comentarios sobre “Acabaram as pérolas Deja un comentario

  1. Prima, lindo texto e lindas palavras.
    Tenho certeza que hoje ela esta descansando e olhando por todos. E não é um adeus e sim um até logo.
    A missão dela foi cumprida aqui, da melhor forma possível, pode ter certeza.
    E mesmo longe, estou em oração por vocês e acompanho tudo a distância viu!?
    o que precisar, estamos aqui, sempre.
    Um mega abraço apertado!

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